Documentos apreendidos em operação da Polícia Federal indicam movimentações financeiras suspeitas entre 2023 e 2024; caso é apurado no âmbito da Operação Handroanthus
Banco foi alvo de operação da Polícia Federal e também foi liquidado pelo Banco Central. (Foto: Divulgação)
Brasília - 10 de abril de 2026
Uma investigação em andamento revelou que o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, recebeu repasses que somam R$ 4 milhões de um operador ligado ao Banco Master. As informações constam em documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Handroanthus, que apura esquema de fraudes no sistema financeiro.
De acordo com os elementos colhidos pelas autoridades, as transferências ocorreram entre o segundo semestre de 2023 e o início de 2024, período em que Campos Neto ainda exercia o comando da instituição. Os valores teriam sido enviados por meio de empresas de consultoria e prestação de serviços, o que, segundo investigadores, pode configurar tentativa de ocultação da origem e da finalidade dos recursos.
Contexto da investigação
A Operação Handroanthus, deflagrada em março de 2026, tem como alvo um suposto esquema de desvios e lavagem de dinheiro envolvendo instituições financeiras de menor porte. O Banco Master, com sede em Belo Horizonte, é apontado como um dos núcleos do esquema.
Os investigadores identificaram que parte dos recursos repassados ao ex-presidente do BC teria origem em operações irregulares realizadas pela instituição. A hipótese levantada pela força-tarefa é de que os pagamentos poderiam estar relacionados a favorecimentos em decisões regulatórias ou a acesso privilegiado a informações estratégicas.
Posição dos envolvidos
A defesa de Roberto Campos Neto afirmou que todas as transações financeiras realizadas pelo ex-autoridade foram declaradas aos órgãos de controle e estão em conformidade com a legislação. Segundo os advogados, os valores recebidos correspondem a pagamentos por serviços de consultoria prestados após o término do mandato no Banco Central, atividade permitida por lei após o período de quarentena.
Já o Banco Master informou que coopera integralmente com as investigações e que todas as suas operações seguem as normas estabelecidas pelo Banco Central e pela legislação vigente. A instituição destacou que ainda não foi formalmente acusada de irregularidades e que aguarda o andamento dos procedimentos legais para se manifestar de forma mais detalhada.
Papel do Banco Central e regulamentação
O caso reacendeu o debate sobre as regras de conflito de interesse para autoridades que ocupam cargos estratégicos no sistema financeiro. Pela legislação atual, ex-dirigentes do Banco Central devem observar um período de quarentena de quatro meses antes de atuar em instituições supervisionadas pela autarquia.
Especialistas em direito financeiro apontam que a análise do caso dependerá da comprovação do nexo causal entre os repasses e eventuais decisões tomadas durante a gestão de Campos Neto. Caso se confirme o recebimento de vantagens indevidas, os envolvidos podem responder por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional.
Próximos passos da apuração
A Polícia Federal deve concluir o inquérito nos próximos meses e encaminhar as conclusões ao Ministério Público Federal. Caberá aos procuradores avaliar a consistência das provas e decidir pelo oferecimento de denúncia à Justiça Federal.
O Banco Central, por sua vez, informou que mantém sua política de transparência e que eventuais servidores envolvidos em investigações serão afastados preventivamente, caso haja determinação judicial ou administrativa.
Impacto institucional
O episódio gera repercussão no mercado financeiro e no cenário político, em momento de discussão sobre reformas regulatórias e governança das instituições de controle. Analistas destacam que a credibilidade do sistema depende da apuração rigorosa de eventuais irregularidades, independentemente do cargo ocupado pelos investigados.
Enquanto a investigação avança, a sociedade acompanha os desdobramentos de um caso que pode revelar fragilidades nos mecanismos de fiscalização e controle do sistema financeiro nacional.